Apesar da blitz ter detido 300 usuários, todos acabaram liberados por falta de funcionários
Kassab admite falta de integração com governo em ação na Cracolândia
SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), admitiu nesta manhã, durante a inauguração de uma Unidade Básica de Saúde em Parelheiros, na zona sul da cidade, que houve falta de integração entre prefeitura e governo do Estado durante a ação deflagrada na Cracolândia pela Polícia Civil, na tarde de ontem.
O prefeito considerou bem-sucedida a blitz policial que tinha o objetivo de capturar homens e mulheres flagrados nos últimos dias vendendo crack na região central da cidade. Além de retirar os traficantes de circulação, a Polícia Civil deteve quase 300 usuários. Os detidos acabaram sendo liberados por falta de funcionários da prefeitura para atendê-los.
De acordo com Kassab, a prefeitura não estava preparada para atender a demanda e houve falta de integração, o que considerou habitual nas relações da prefeitura com o governo do Estado. O prefeito vai se reunir hoje à tarde com o secretário da Segurança Pública do Estado, Antonio Ferreira Pinto, e com o secretário municipal de Saúde, Januário Montone, para discutir o problema.
Ação na cracolândia provoca 'fuga' de agentes de saúde
A operação deflagrada na cracolândia provocou uma "fuga" dos agentes da Prefeitura de São Paulo destacados justamente para atender os usuários. A blitz policial tinha o objetivo de capturar homens e mulheres flagrados nos últimos dias vendendo crack na região. Além de retirar os traficantes de circulação, a Polícia Civil deteve quase 300 usuários. Mas, por falta de funcionários, todos acabaram liberados sem nenhum atendimento.
À medida que eram pegos, usuários seguiam de mãos dadas para a base da Ação Integrada Centro Legal, onde deveriam ser recebidos por agentes municipais, conforme prevê parceria firmada em agosto entre Estado, Prefeitura, Judiciário e Ministério Público. Os agentes que davam plantão no local desapareceram. "Quando eles perceberam que a polícia estava trazendo os ?noias? para cá, deram linha", disse um guarda-civil metropolitano (GCM).
Enquanto policiais tentavam acalmar os usuários, os sete agentes se escondiam debaixo da cobertura de um ponto de ônibus. Perguntados sobre o porquê da fuga, um deles respondeu: "Não podemos dar declarações. Procure a Assessoria de Imprensa." Diante da insistência da reportagem, uma mulher se explicou. "Não estávamos sabendo de nada. É uma operação da polícia e não temos nada a ver com isso."
Outro funcionário da Prefeitura afirmou que a equipe não podia ter seu trabalho vinculado à ação policial. "É um risco para a gente. Se recebemos alguém trazido pela polícia, eles podem achar que fomos nós quem avisamos", explicou. O delegado Aldo Galiano Junior, da 1ª Seccional, disse que avisou o secretário municipal de Segurança Pública, Edson Ortega, da operação. "A Prefeitura é nossa parceira em todas as ações na cracolândia."
O secretário municipal de Saúde, Januario Montone, emitiu nota ontem na qual criticou a operação "pirotécnica" da Polícia Civil. "Foi uma ação de total e inteira responsabilidade das autoridades policiais, sem qualquer planejamento conjunto ou conhecimento e preparação da área de saúde." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. Leia mais...
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